Debate do 28 de Junho na Caros Amigos

Quem não esteve no debate do 28 de Junho na terça-feira no Espaço Cultural Latino Americano (ECLA) no Bexiga, em São Paulo, pode conferir um resumo do debate na matéria feita pela jornalista Paula Salati, da Caros Amigos. Confira:

Debate sobre a Revolução de Stonewall conta a história da luta LGBT

Por Paula Salati

No mesmo dia em que ocorreu o primeiro casamento civil homossexual no Brasil, um debate no Espaço Cultural Latino Americano (ECLA), na cidade de São Paulo, expôs a realidade e a história de luta da comunidade LGBT. A atividade “A atualidade da Rebelião de Stonewall e o movimento LGBT: 42 anos de luta”, organizada pelo Coletivo 28 de junho – grupo LGBT de esquerda que atua nos movimentos sociais – teve a intenção de mostrar que não é por acaso que o mês junho vem a ser mês internacional do orgulho LGBT.

O debate que aconteceu na terça-feira, dia 28, teve a presença da pedagoga e ativista dos direitos das Travestis e Transsexuais, Janaina Lima, do antropólogo e doutorando da Universidade de Chicago, Jay Sosa e do jornalista e militante do 28 de junho, Rodrigo Cruz.

O estadunidense Jay Sosa iniciou a discussão resgatando a história da Rebelião de Stonewall, considerada a primeira rebelião LGBT da história. O fato aconteceu na madrugada do dia 27 para 28 de 1969 no bar Stonewall Inn, na cidade de Nova Iorque nos EUA, freqüentado por homossexuais, bissexuais, travestis e drag queens. Uma força policial invadiu o local, o que era muito comum acontecer nos bares LGBT’s, porém sempre sem resistência. Nesta noite, logo após a entrada da polícia, iniciou-se uma onda de protestos da comunidade LGBT dentro e fora do bar.

Jay disse que o acontecimento “representou uma luta contra a opressão policial e contra um sistema precário de vida, em uma época que a vida homossexual era uma vida ilícita” e que, viver na ilegalidade representa estar sujeito à violência estatal. O antropólogo destacou também o fato de que os gays e drags que estavam no Stonewall naquela madrugada pertenciam às camadas mais pobres da população. A parcela mais rica, geralmente, saía do país e fazia suas próprias festas.

Depois da Rebelião de Stonewall, surgiram diversas organizações da causa e o movimento começou a se massificar. As Paradas LGBT’s, inclusive, surgiram a partir de Stonewall e acontecem hoje em diversos países.

Janaina Lima questionou em sua fala o fato de que hoje é necessário um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público para que a Parada possa acontecer no Estado de São Paulo e que praticamente não houve avanços nos direitos dos travestis nessas quatro décadas de luta. Além disso, a pedagoga disse que, em São Paulo, algumas boates chegam a cobrar taxas adicionais para a entrada de travestis.

O jornalista Rodrigo Cruz falou sobre a atual onda de conservadorismo no Brasil, concretizada em discursos públicos de políticos e religiosos e agressões à homossexuais e travestis. O militante lembrou também que o espaço em que a comunidade LGBT se expressa ainda é, marjoritariamente, o espaço privado. E que, mesmo nos guetos, ainda sofrem repressão.

No final do debate, Janaina Lima, fez uma fala que foi muito aplaudida: “Vou terminar falando quem eu sou: sou a Janaina, que é negra na hora de combater o racismo, que é mulher quando é necessário combater o machismo, que é travesti na hora de combater a homofobia e que é nordestina na hora de combater esse preconceito regional”

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