Artigo do Coletivo 28 de Junho sobre combate à homofobia nas escolas no Jornal Atenção (Junho/2011)

Texto do militante Michel Fernando Pena (Michelly Shantal), do Coletivo 28 de Junho, sobre o combate à homofobia nas escolas escrito em junho deste ano para a edição nº 11 do Jornal Atenção, publicação alternativa de Campinas editada pelos trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô, pela comunidade local e movimentos populares, estudantil e sindical da região.

Leia aqui a Edição 11 do Jornal Atenção

As ideias que se tornam ação

Um político quando fala de cidadania nunca vai defender que ela não é para todas e todos. Uns vão falar que o exercício dessa cidadania pode ser conquistado assim como a comida que você compra. Outros políticos vão afirmar que o exercício dessa cidadania só é carregado de sentido (ou seja, praticado por todo mundo) quando o Estado cumpre o seu dever de garantir direitos básicos como a saúde, habitação e educação, etc.

Acontece que aqueles políticos (os que acham que direito é mercadoria) não estão interessados em solucionar de fato a condição na nossa realidade social (aquela que vemos no jornal e mostra a triste realidade de segregação social, miséria material, individualismo e, principalmente, preconceito).

Muitos preconceitos atingem setores da nossa sociedade: o machismo que oprime as mulheres, o racismo que oprime os negros e a homofobia que oprime os LGBTs. Você deve estar se perguntando: “homofobia? LGBTs? São doenças? Comidas típicas?”. Fique calmo, pois esse texto vai tentar te explicar isso.

Homofobia é a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Um indivíduo homofóbico elege ou os gays, ou as lésbicas, ou os bissexuais, ou as travestis, ou as(os) transexuais (enfim, toda a população que chamamos LGBT), ou todos estes para promover incitação do ódio, humilhação e constrangimento.

Mesmo sendo uma estatística real, tem gente que ainda não acredita que homofobia mata, porém mata muito! O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo (só no ano passado foram registradas mais de 250 mortes ocasionadas pela violência homofóbica).

O que mais nos assusta é que esse discurso de ódio encontra lastro (tem vez e voz) na mídia, nas Igrejas, na família e também nas escolas. A piada do “viadinho”, por exemplo, é tão banal que ninguém se importa em condenar quem faz a piada. Mas não deveria ser assim: é que esse tipo de piada tem riso garantido por conta da tradição homofóbica da nossa sociedade.

Bom, se até aqui você se indignou e concordou com o que dissemos, você vai ter de concordar que é preciso fazer alguma coisa pra mudar essa situação alarmante. Nós achamos que a hora é agora pra mudar esse jogo. É preciso que todas e todos se comprometam em refletir sobre a necessidade de pensar uma sociedade democrática, sem opressão e preconceito.

Mas uma perguntinha básica de todo bom lutador social é: “o que fazer para mudar?” Bem, se você transforma essa pergunta em ação prática transformadora, você se insere no movimento social que questiona essa “ordem natural das coisas”. É justamente por conta dessa pergunta que houve a possibilidade de você ler esse jornal: um grupo de pessoas pensou, discutiu e trabalhou para levar um conjunto de informações que você não vê no Correio Popular e nem no Jornal da EPTV. A ideia virou ação!

Algumas dessas ideias que viraram ação merecem destaque, como, por exemplo, a ideia de combate à violência homofóbica nas escolas, através do material didático chamado “Kit Escola sem Homofobia”. O objetivo desse material é oferecer aos professores do ensino médio informações sobre as formas de combate a discriminação por identidade de gênero e por orientação sexual dentro da escola.

Acreditamos é que só o kit não é suficiente para modificar do dia pra noite a mentalidade homofóbica da cultura brasileira. Porém, é uma medida que deve ser apoiada, por isso os governos deveriam garantir para que não só o Kit Anti-Homofobia mas que muitas outras medidas surjam e tenham a finalidade da redução do preconceito em nossa sociedade.

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